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sábado, 23 de novembro de 2013

ASSIM FALOU O.G. REGO DE CARVALHO

CULPA
“Eu quero dizer que todos somos culpados, mas que atiramos sobre os outros  as culpas dos nosso fracassos. Dos nossos ressentimentos, das nossas ansiedades, nós atiramos a culpa nos outros, nós nos julgamos inocentes. A cada passo nós estaremos nos perdoando dos nossos erros... Ninguém quer ser culpado, geralmente estamos atirando sobre os outros as culpas dos nossos erros e do nossos fracassos.” 
DERROTA
“A derrota, na maioria das vezes é a pedra de toque da vitória.”
EMPATIA
“Empatia, o autor se coloca  na posição do personagem e descreve os seu personagem como se ele estivesse  vivendo aquilo tudo ; simpatia é aquilo que o leitor sente por  alguma cousa que ele está vendo e é digno de simpatia, que lhe toca, que lhe sensibiliza... Todos nós temos fantasmas  e precisamos exorcizá-los de vez em quando, expondo-os na obra de arte. O autor não pode Ter piedade de si mesmo, tem de se expor a  nem que seja para o ridículo, mas tem que se expor... É exatamente essa sinceridade absoluta de escrever como se estivesse  rasgando o coração. Eu não estou querendo falar com isso em obras piegas, pelo amor de Deus.”
ESCREVER
“Se quiser escrever bem, terá de romper  com os padrões. Saber escrever não é se apagar as regrinhas de gramática, mas deixar que a história flua num estilo corrente, límpido e, se possível, musical.”
“Quando vou escrever, eu traduzo as emoções, as sensações que eu vivi ao logo da minha vida. A minha preocupação é com o meu mundo interior, e não com o mundo exterior. Procuro fazer uma obra que retrate o que sinto, penso, vejo. Por isso, digo que eu sou ficcionista de mim mesmo.”
ESCRITOR
“Eu sou escritor por derivação, porque queria realmente era ser compositor.  Mas a musicalidade está empregada na forma com que escrevo.”
“É lícito a um escritor escrever o óbvio; é lícito a um escritor escrever  o rotineiro, aquilo que ocorre todo dia? Como quer  você, escritor, que o leitor se comova  com o que você escreve, se você não chora diante do que você escreve, se você não sente aquilo que está escrevendo? Como é que você quer que o leitor sinta também?”
“O escritor deve Ter compromisso com a gramática, não deve agredir a gramática, mas não deve ser submisso à gramática também. O escritor tem de saber até onde ele pode ir.”
“Eu entendo que o grande segredo do escritor é encontrar um meio de dizer as coisas com poucas palavras.”
INSPIRAÇÃO
“Hoje a inspiração é recusada por muitos autores, inclusive poetas que querem publicar o que escrevem de qualquer jeito.”
LEITOR
“O que o leitor quer é que o autor seja autêntico, seja sincero.”
LEITURA
“A leitura é fundamental para o romancista, é fundamental para o poeta.”
LER
“Há uma diferença muito grande entre ler como passatempo e ler para aprender.”
LITERATURA
“Minha literatura é mais projeção de mim mesmo. Quando escrevo, não me preocupo com o que os outros fizeram ou vão fazer.”
LIVRO
“Eu nunca li um livro ruim. Na hora  que eu começo a ler um livro e verifico que o autor  não tem pulso,  abandono, não vou perder o meu tempo.”
PALAVRA
“Eu não escrevi nenhuma palavra  dos meus livros  sem ir no dicionário ver o sentido dessas palavras.”
POESIA
“Eu queria fazer poesia metrificada, mas o metro é um empecilho terrível ao poeta; é uma prisão.”
ROMANCE
“Veja bem; a gente pode fazer um poema num dia e passar uma semana burilando-o,  pode engavetar e um ano depois reescrever, melhorar o texto. Já com um romance é diferente: é algo terrível, é uma obsessão conviver com as mesmas personagens, com os mesmos sofrimentos durante dois ou três anos.”

Orlando Geraldo Rego de Carvalho
Conhecido como O. G. Rego de Carvalho, nasceu em Oeiras - PI (25-01-1930), faleceu em Teresina (09-11-2013). Romancista e poeta. Bacharel em Direito, bancário e professor.   Foi um escritor romancista brasileiro.
Ocupava a cadeira número 6 da Academia Piauiense de Letras e, além de romancista, era também Bacharel em Direito, professor e funcionário aposentado do Banco do Brasil. Doutor “Honoris Causa” da Universidade Federal do Piauí, integrou o Grupo Meridiano e pertence à Geração 45. Juntamente com o poeta H Dobal e o crítico M. Paulo Nunes, lançou em 1949 a revista "Caderno de Letras Meridiano", um marco dentro do Modernismo Piauiense.
Sua obra mais marcante é Rio Subterrâneo, quando o escritor expõe de forma crua as neuroses, conflitos, medos, loucura e solidão de seus personagens.
Faleceu na manhã de 9 de novembro de 2013 no Hospital São Paulo em Teresina, aos 83 anos, de falência múltipla dos órgãos, após oito dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital.

Principais Obras do Autor
- Ulisses Entre o Amor e a Morte, 1953
- Amarga Solidão, 1956
- Rio Subterrâneo, 1967
- Somos Todos Inocentes, 1971
- Como e Por Que Me Fiz Escritor, 1989
- Ficção Reunida, 2012

Bibliografia e fontes consultadas
DICIONÁRIO DE SABEDORIA DOS PIAUIENSES

segunda-feira, 17 de junho de 2013

MANOEL PAULO NUNES

Por Ele Mesmo no Dicionário de Sabedoria dos Piauienses
Nasceu em Regeneração-PI (11-10-1925). Professor universitário e ensaísta. Formado em Ciência Jurídicas e Sociais. Professor titular da UFPI. Técnico em Assuntos Educacionais do MEC. Membro da Academia Piauiense de Letras. Primeiro ocupante da cadeira 38, cujo patrono é João Francisco Ferry.
ACADEMIA
... as academias tem que cultuar a tradição, porque sem tradição não há academia. As academias, sua preocupação é cultuar, cultivar os valores estabelecidos, a que chamo de valores permanentes, mas eu vejo nas academias um fermento muito grande de renovação. Eu acho que as academias não têm apenas o compromisso com a tradição.”
As reuniões de homens de letras se constituem, não apenas na oportunidade para o debate objetivo de idéias de interesse da cultura, como também para a tomada de posições em relação à defesa de causa comum da inteligência, quando se acham em jogo os valores fundamentais do homem.”
APRESENTAÇÃO
Há certas apresentações perfeitamente dispensáveis... Os leitores já fizeram assim sua escolha. Dispensa por isso qualquer intermediação.”
CRÍTICO
Os grandes escritores, para adquirirem maior notoriedade, sempre contaram com um crítico de renome para projetarem as qualidades maiores da obra realizada.
CULTURA
Os grandes escritores, para adquirirem maior notoriedade, sempre contaram com um crítico de renome para projetarem as qualidades maiores da obra realizada.
EDUCAR
Todo sistema educacional visa a transmitir às novas gerações a herança cultural do passado, possuindo, em conseqüência, muitas vezes, um caráter acentuadamente conservador. Entretanto, educar não é apenas perpetuar o passado uma vez que, toda educação significa também uma resposta aos desafios do presente e, numa visão prospectiva, uma preparação para a vida futura. Há assim necessidade de questionar o tipo de educação a ser ministrado aos jovens de hoje, o que diz respeito aos aspectos quantitativos e qualitativos da educação.
EDUCAÇÃO
A educação é um processo dinâmico, inseparável da evolução da sociedade. Educadores e sociólogo, ao pretenderem conceituá-la, procuram determinar sua estreita vinculação com a vida social, ou seja, com a vida produtiva, pois é um truísmo dizer-se que cada etapa social exige determinado tipo de educação. Já vai longe o tempo em que a educação era uma espécie de compartimento estanque, distanciada da vida e de seus múltiplos problemas, ou de suas solicitações.
ESTRUTURALISMO
Às vezes chego a pensar que a crítica textual, decorrente do estruturalismo, foi um dos maiores equívocos da história literária... fez em nossa cultura estragos consideráveis pois matou simplesmente o gosto pela leitura. Toda mundo passou a partir daí a ver no texto um pretexto para a demonstração das mais capciosas teorias. Ninguém mais se preocupou com as raízes da nossa história literária.
GERAÇÃO
... me considero integrante de uma geração perdida, não pelo que haja ela deixado de realizar em termos de vitória nos assuntos de ordem pessoal, mas perdida em relação à falta de identificação com aqueles valores que dão real significado à vida humana, entre os quais se pode inscrever a defesa da liberdade, a denúncia da injustiça e o respeito à essencial dignidade da pessoa humana.
GLÓRIA
Felizes os escritores ou os artistas que conseguem em vida assistir à própria glória intelectual.
LEI
Em toda parte do mundo, as leis são institutos que devem ser cumpridos. Entre nós, nem sempre. Talvez não haja um país do mundo de leis as mais perfeitas e inumeráveis. Só que a maioria delas não são cumpridas. Daí os privilégios inconcebíveis, a discriminação social, numa sociedade em que existem os que vivem sob o guante das leis e os que a elas não se submetem, os intocáveis, verdadeiras castas de privilegiados, a afrontar os que têm fome e sede de justiça. Estes, que constituem ínfima e bem nutrida minoria, vivem a sua vida, ao arrepio das obrigações que são comuns aos demais cidadãos, sobretudo os mais pobres. Não observam as leis, não pagam impostos, porque nada os atinge, como se não fossem cidadãos de uma mesma nação, com direitos e obrigações  iguais.
LEITURA
Cada um de nós, que vive pelo pensamento e o manifesta através da escrita, é o resultado de suas influências e de suas leituras. São elas que nos despertam a curiosidade e o sentido da vida. Jamais poderemos renegá-las, pois seria renegar a essência de nós mesmos.
LINGUAGEM
Muita gente, depois do modernismo , ou mesmo antes dele, procura captar para seus romances a fala popular. Ainda hoje se faz esta experiência. Foi uma desgraceira geral. Porque, meus amigos, captar a essência da fala do povo não é escrever errado, simplesmente, como ele fala. É dar a essa linguagem tratamento literário. Vou morrer dizendo isto e esta é uma guerra sem quartel. É preciso ser-se genial para captar esta beleza da fala popular.
LIVRO
Publicar um livro constitui a mais pura e comovente aventura do espírito. É um pouco de nós próprios que transita para páginas que serão lidas e avaliadas por uma comunidade de pessoas: amigos, inimigos, desafetos, maldizentes, aquilo que constitui afinal o chamado público ledor.
Falar dos livros de alguém é falar da própria pessoa...
Todo escritor, todo intelectual tem a obrigação de dar, à sua maneira, um testemunho de sua época. Seus livros constituem como que a sua cosmovisão.
MORTE
O problema da morte, como de resto o do amor, tem ocupado, de modo absorvente, as grandes obras literárias, do passado aos nossos dias. Daí a razão por que as grandes obras de ficção não tem fugido a esse tema, pelo contrário, todas dele se ocupam de maneira obsedante.
PENSAMENTO
Cada um de nós, que vive pelo pensamento e o manifesta  através da  escrita, é o resultado  de suas influências e de suas leituras. São elas que nos despertam  a curiosidade e o sentido da vida. Jamais poderemos renegá-las, pois seria renegar a essência de nós mesmos.
POLÍTICA
A conciliação, não obriga ninguém a perder a independência política.
POESIA
A reforma modernista na poesia, com que se intentava exprimir uma nova estética, trouxe um certo descrédito para o soneto, uma das mais antigas formas de expressão da arte poética, em todos os tempos. A preferência pelo verso livre, um dos cânones do modernismo, que já vinha do simbolismo, intentava descobrir ritmos novos, além de revelar, através de palavras comuns, ressonâncias poéticas novas que procurassem afastar o poeta dos achados já consagrados pelos parnasianos, na castigada ourivesaria do verso...
TRADIÇÃO
A tradição é a continuidade da cultura. Tradição não é preservar o passado; é estabelecer uma continuidade entre o passado, o presente e o futuro.

terça-feira, 31 de julho de 2012

JOAQUIM RAIMUNDO FERREIRA CHAVES


Por Ele Mesmo no Dicionário de Sabedoria dos Piauienses
Nasceu em Campo Maior-PI (09-03-1913). Faleceu em Teresina (08- 05-2007). Sacerdote, Escritor, Professor, Historiador e Biografo. Foi um dos mais importantes historiadores Piauienses do seu tempo.
COMUNICAÇÃO
“O mundo religioso e social do outro é uma realidade que exige respeito e compreensão. Os caminhos para chegar-se até lá não são mais as normas, mas a comunicação, o diálogo e o amor. Os relacionamentos exigidos giram na órbita da comunicação interpessoal e não em torno de funções”
“Eu sou um homem que tem fé. Tenho muita fé. Estou nas mãos de Deus. Agora eu não sei quando vai ser. Eu tenho amor à vida. Eu não quero morrer. Eu quero viver. Enquanto ele me der vida, eu fico, para encher o saco dos outros”
HISTÓRIA
“A história e os historiadores devem limpar o passado e consequentemente o futuro das visões distorcidas do tradicionalismo.”
“A que temos é a história da classe dominante, a classe que produz os documentos e organiza os arquivos. Dela são os heróis, os grandes, os libertadores, que de fato a ninguém libertaram, mas mantiveram o povo na sujeição aos seus “modelos” que garantem a perpetuidade de seu status. Chama-se a isto, erroneamente, história. De fato não é história, é tradição”
“A verdadeira história não se pode confundir com a tradição, que muitas vezes é usada para justificar o status quo e santificar os erros das elites. A tradição é sempre uma ideologia criada com o propósito de controlar indivíduos, motivar sociedades e inspirar classes.”
“Um homem, antes de completar vinte e cinco anos, tem que fazer duas coisas: um poema – um soneto – e uma besteira. Besteira eu fiz mais de uma. Ai eu entrei para a prosa, para a pesquisa histórica. Para fazer poesia é preciso Ter imaginação. No estudo da história você tem que massacrar a imaginação para poder ficar fiel ao documento. Não imaginar nada!”
MÚSICA
“Eu ouço a música, me sinto feliz, tranqüilo, os problemas desaparecem. Durante muito tempo a música me sustentou. Todo dia eu ouço música clássica. Mas eu gosto de outros tipos de música também. Só não gosto dessa música moderna, isso não é música, é barulho.”
PASSADO
“... um povo que não cultua seu passado não tem direito ao futuro. O futuro está plantado no passado. Se a gente não cultua nossos heróis, nossa história, o que vamos fazer?”
POESIA
“A poesia é a forma suprema do Ideal”
POETA
“Humanizam o inanimado. São estuários de renovação simbólica da posse perpétua de cada parcela de inspiração que se lhes incorpora. São organismos que arfam e vibram por renascerem pela unidade da liberdade e pela união da arte. Abatidos, abismados, sentindo a marca funda das vacilações, modelam suas obras com pedaços d’alma. Misteriosa é a sua linguagem porque misteriosa é a engrenagem da vida. Sempre haverá um espaço indefinido para o mistério nos antolhos das místicas”
“... operário para ganhar o pão cotidiano; poeta para misturar no cálice da vida o vinho da idealidade e do sentimento. Isto, porém é coisa impossível de se verificar porque os poetas, seres marcados, não se fazem, já nascem feitos”
“Poetas são seres privilegiados a quem o gênio sagrou com sua mão inexorável para a missão sublime de dar expressão a todos os sentimentos que tumultuam confusos no coração do homem e plasmar no mármore da palavra as belezas da natureza, a bondade e grandeza dos sentimentos humanos”
“Os poetas são instrumentos delicados que vibram à mais branda aragem: são as harpas eólias que gemem ao sopro imperecível da inspiração. Eles traduzem todo o fundo encanto inefável dos que sentem e não podem dizer o que vai na alma, emparedados dentro de seu cárcere verbal”
“Os seres materiais são apenas símbolos de realidades mais altas. O poeta é que compreende essa linguagem misteriosa dos seres e através da variedade infinita das formas entrevê a própria essência fingida das coisas. E só isto basta para fazê-lo sofrer, embora seja pessoalmente feliz”
“Só eles são capazes de aprender a beleza peculiar dos ocasos na lenta degradação das tintas moribundas. Ficarão horas esquecidos a contemplar a massa líquida que desce na cascata, a ouvir o marulho das águas nas pedras do riacho, olhos perdidos nos longes do horizonte azulado, naquela curva onde a terra acaba e começa o céu. Amam a flor, a estrela, a gota de orvalho, o palpitar das asas, a brisa ciciante, a solidão dos campos, o silêncio rumorejante da caatinga. Infeliz do povo que não possui poetas. O que os tem já é grande só por isso”
POLÍTICA
“É fato comprovado que nenhum sistema político pode sobreviver se não possui uma categoria de auxiliares que lhe sejam ao mesmo tempo sustentáculo social, político e econômico. Entre nós existiram muitas espécies de aristocracia: a militar, a econômica, a política e a social. E muitos tipos de organização: o feudalismo, isto é, a organização do poder privado, combinado com a ordem militar e o patrimonialismo; a burocracia; o partido político e outros”
POVO
“O povo tende cada vez mais a não aceitar normas sem antes examiná-las para decidir se vai segui-las ou rejeitá-las. O medo da morte, do pecado e do inferno não pressiona mais as pessoas, como antigamente. Os costumes e as tradições estão desaparecendo. Ora, eram os medos, as tradições e os costumes que seguravam a estrutura. Sem elas, ela começa a desmoronar”
VERDADE
“Ninguém mais se julga dono de toda á verdade e prendemos, nós, os homens de um mundo pluralista, a respeitar as convicções políticas, filosóficas, religiosas e estéticas dos outros”

sábado, 28 de julho de 2012

RONALDO ALVES MOUSINHO


Por Ele Mesmo no Dicionário de Sabedoria dos Piauienses
Nasceu em Gradalupe–PI (16-10-1951). Poeta e Professor. Formado em Letras e em Direito. Escritor com uma vasta publicação.
ARTISTA
“O artista é o senhor de sua vontade: sua arte é o fator único e absoluto na escolha dos processos que vão dar corpo à sua obra. E, sendo livre e versátil o artista, importa mais que seja ele autêntico no que faz, dizem uns. O artista deve ser um beneditino, disciplinado e paciente, em busca da forma perfeita; dizem outros. O artista talvez deva ser o pêndulo em meio a estas duas concepções, por ser esta a grande tendência que se evidencia hoje”
COMUNICAÇÃO
“A comunicação visual e simbológica – superficial e fragmentária, em grande escala – vem afastando sensivelmente leitores e criadores das fontes tradicionais do conhecimento e da pesquisa. Isto os tem alheados aos pressupostos literários, deixando-os, por vezes, à mercê de improviso. Temeridade a que se deixa também seduzir significativa parcela de estudantes, ao optarem pela linguagem virtual, fonte mais “pragmática” para eles, por reduzir as frases a meras abreviaturas, desprovidas inclusive de acentuação e pontuação”
LEITOR
“... é no lirismo amoroso e num diletantismo prazeroso que se pretende a satisfação de um anseio sentimental, ou o preenchimento de um estado de ocioso vagar do leitor. É de onde se faz criar na mente do leitor um universo particular fantástico, em que a mente vagueia entre imagens paradisíacas sucessivas. E nesse enlevo, em que o leitor alcança a sintonia do poeta, ele se sente onipotente e onipresente.”
LITERATURA
“Os preceitos literários são para alguns o caminho que os levarão à porto seguro da Arte Poética; para outros, obstáculos quase intransponível”
“Tudo é pretexto para o ato literário: do caos original, ao momento cibernético gemonal”
POESIA
“Quiçá possamos sensibilizar as mentes embrutecidas e bestializadas pela escalada incontida da ganância, através do tom clamoroso e fascinante da poesia lida e recitada recitada em praças, teatros e veículos audiovisuais, para, quem sabe, tocar, sacudir, balançar esses corações empedernidos, despertando, assim, algum sentimento adormecido de compaixão e solidariedade.”
“Minha poesia não visa somente entreter e satisfazer um anseio circunstancial, como já se depreende, mas principalmente comprometê-lo com as mazelas do dia-a-dia, como partícipe de uma sociedade injusta e, por vezes, desumana. Ela insurge-se contra esse macrocosmo de injunções vilipendiosas”
“No árduo intento de buscar-se o lirismo encantatório, há de se fugir ao mero desabafo circunstancial das oscilações emotivas. É imperioso transcender-se à realidade trivial, através do processo alquímico da palavra, rumo ao limiar da sublimidade, pois aí reside a essência do ato poético. E nesse pelejar desatinado, quase inatingível, vislumbrei circunstâncias peculiares, que predispõem ao insight da inspiração poética”

quarta-feira, 23 de maio de 2012

MÁRIO FAUSTINO DOS SANTOS E SILVA

Por Ele Mesmo no Dicionário de Sabedoria dos Piauienses
Nasceu em Teresina-PI (22-10-1930). Faleceu em Las Palmas, subúrbio de Lima, Peru (27-11-1962). Crítico literário, poeta, professor e jornalista. Formado em direito. Foi um dos fundadores da Associação Brasileira de Escritores do Pará.

AMANTE

“Amante: coração queimado.”
“Amante: jogador ferido.”
AMAR
“Amar é jogo difícil.”
“Amar é dever e oficio.”
BELEZA
“A beleza é apenas passagem divina impiedosa e fugaz.”
ESCREVER
“Acho que falar do que se está escrevendo faz-nos perder boa parte do impulso criador.”
“Gosto muito de copiar a mão os versos que amo.”
“Não estamos escrevendo nos papiros da eternidade – e sim no barato papel de um jornal vivo: o que nos interessa é instigar, provocar, excitar, em certas direções, a mente do leitor competente. Preferimos escrever num laboratório a escrever num templo.”

MARAVILHA

“Tudo o que importa é ser maravilhoso.”
“A maravilha: o gesto da inocência.”
MORTE
“Sinto que o mês presente me assassina...”
OBRA
“Toda minha obra tende à criação de poemas longos, tento criar poemas longos, prepara-se para a criação deles. Talvez chegue a um impasse, talvez toda a minha obra venha a ser um fracasso. Espero que seja um fracasso útil – como tantos outros.”
POESIA
“Minha poesia vai como quero. Cada vez mais é parte de mim, cada vez mais vivo como ela, fluo com ela – torna-se uma espécie de oração contínua, à maneira dos santos."
“Meu objetivo próximo, agora, é o seguinte: viver ininterruptamente em poesia, em estado poético, escrevendo ou não, mas sempre sob o signo da palavra criadora. Sei que me compreendes. Meus poemas, dentro em breve, serão um contínuo fluir, sem interrupção, que só se interromperá com a minha morte...  A que distância estou, como vês, das pobres tentações concretistas!”
“Tento fazer em poesia aquilo que em mística os santos chamam de oração contínua.”
“... a verdadeira poesia é feita com palavras vivas, com palavras coisas, e não apenas, e muito menos, com conceitos, impressões, confissões.”
“O motivo principal que me separa da poesia concreta é que o que mais me interessa é o poema longo: o que menos interessa a eles. A poesia concreta, no seu melhor, se tudo der certo, criará novos gêneros de poesia, e de poesia menor; qualquer coisa para substituir o epigrama, o soneto, etc.”
“A poesia não teria de ser compreendida e sim percebida.”
“... o mais eficaz, o mais perene, o mais exato dos meios de comunicação.”
POETA
“Através de sua arte o poeta se concentra, se afirma, se liberta da mesma maneira que os demais homens, cada um em seu ofício, ou em sua devoção. Todo poeta digno de ser como tal considerado pelo povo... considera sua vida como um processo ininterrupto de aperfeiçoamento.”
“O poeta deve orientar tudo o que faz no rumo de seu centro poético, criador: deve trabalhar, comer, beber, amar... tudo para poder fazer poesia e melhor poesia. Isso não quer dizer que considero a poesia um fim em si. Absolutamente: no sentido individual, poesia não passa, para mim, de um meio de auto realização, autodescoberta, autoafirmação, auto sublimação. E procuro também fazer poesia num sentido o mais altruístico possível: para comover, para deleitar, para ensinar, para transformar, um mínimo que seja, o mundo, a língua, a arte. Porem, especialmente no período de formação, o poeta precisa conseguir e manter sua unidade de espirito: abaixo os poetas bissextos! É preciso pensar todo o tempo em poesia, ser profissional, ler poesia o máximo e fazer um pouco todos os dias, nem que seja para jogar na cesta.”
VERSO
“Há, por toda parte, uma crise do verso, mas que, em toda parte, ainda se faz, e pode-se fazer melhor ainda bom verso. A tradição continua, retifica-se e continua, não se perde um bom instrumento só porque outro foi inventado, ou se está inventando sobretudo se ainda não está provada a maior eficiência do mais novo em relação ao mais velho.”

domingo, 13 de maio de 2012

JOSÉ DE ARIMATHÉA TITO FILHO

Por Ele Mesmo no Dicionário de Sabedoria dos Piauienses
     Nasceu em Barras-PI (27-10-1924), faleceu em Teresina-PI (23-06-1992). Foi um Historiador, cronista, jornalista, orador, professor, político e desportista. Bacharel em Direito.
ARTISTA
“Já se disse que o homem ordinário pactua com as injustiças sociais, mas o artista não pode com elas pactuar.”
COMUNICAÇÃO
“O homem, desde épocas primitivas, comunica o que deseja, o que determina, o que pensa, de maneiras inumeráveis: pelo que veste, pelo que  come, pelo olhar, pelas cores, por figuras, gráficos, imagens, pelo toque do sino ou do clarim, pelos usos e costumes que adota, expressando, pois, um mundo de mensagens que revelam aos outros as estruturas de sua personalidade.”
COMUNIDADE
“As comunidades humanas de vez em quando padecem provocações, que resultam de cousas diversas ­– crimes, intempéries da natureza, epidemias, atitudes passionais dos grandes ajuntamentos humanos, imprevidência das pessoas ou dos governos e outros.”
CULTURA
“A própria vida vale o conjunto de todos os processos culturais.”
ECONOMIA
“Nunca. Não confundamos finanças com economia. Nós podemos Ter dinheiro no bolso e sermos integralmente despreparados para a vida. E ainda podemos Ter muita economia conosco e não termos o que é necessário normal do homem, que é o dinheiro. A economia é um processo de felicidade das comunidades, de bem estar ...”
ESCRITOR
“Diríamos que o escritor vive num meio hostil, de intrigas, de invejas, de hipocrisias, e tudo vai derrotando o artista que chega ao ponto da acomodação. Ninguém repudia as ideias, mas se acomoda às normas de força das ditaduras reais ou aparentes.”
“... quando novo, o escritor é antiacadêmico por natureza. À proporção em que ele envelhece, busca as academias porque, ao cabo de contas, elas exercem, em virtude do próprio bafejo oficial, proteção a quem já se sente deserdado da sorte.”
ESCREVER
“Um livro, uma poesia, um pensamento que se escreve vale um filho espiritual muito terno. Então, qual o pai que gostaria de Ter um filho chamado de feio, de aleijado? Procuramos, pois, incentivar a quem escrever alguma coisa. Não fazemos elogios derramados, tanto que acontece uma coisa que muitos não observam: quando não temos nada que dizer do livro, falamos do autor, da pessoa, dos seus traços humanos, dos seus sentimentos; no final, alguma referência ao livro, acentuando o esforço do autor, a sua simplicidade, sem que destruamos os seus desejos e pretensões. Achamos que o melhor caminho para educar é o caminho do afeto, do querer bem.”
HISTÓRIA
“A ninguém é dado negar a importância da História na vida dos povos. Desenganadamente, fazê-lo é desconhecer que, sem ela, torna-se impossível a continuidade da cultura. Com efeito, sem memória, as civilizações ficam sem passado.”
LINGUAGEM
“A linguagem humana é meio de entendimento da comunidade que se manifesta por processo vários. Há a linguagem literária, asseada, estruturada, e ao lado dela a linguagem natural, despoliciada, no contato com os amigos, nas diversões, a linguagem chã, plena de expressões triviais, veículos de entendimento geral, que todos compreendem, instrumento de conversação do  doutor com a verdureira , do sábio com o limpador de sapatos.”
“Há outros processos de  linguagem: a linguagem dos gestos, dos dedos, dos olhos, a linguagem da gíria, por via da qual o povo ironiza situações e caracteres, e ainda a linguagem dos grupos profissionais, com a força psicológica do vocabulário na variedade desses grupos: trabalhar para o médico corresponde a operar, mas de trabalhar o ladrão tem entendimento diverso. E chegue-se ao calão, o processo de linguagem  deseducada, comum no submundo da malandragem, do meretrício.”
“A linguagem dos homens se manifesta por processos vários. Há a literária, polida, asseada, rica, regida por preceitos gramaticais; existe a usual, despoliciada, de todas as horas, a linguagem chã, planiciana, de estragos fonéticos, governada pelo menor esforço, aquela que é o veículo de entendimento geral. Adiante, a linguagem dos gestos – dos dedos, da cabeça, do piscar de olhos. E ainda a gíria, por via da qual o povo ironiza pessoas e episódios, e estabelece relações entre os objetos, a gente e os fatos. E mais: o processo da linguagem emotiva e do calão. E também uma maneira especial de comunicação, de causas profundas – um modo de ser representado pelo linguajar das pequenas paisagens populacionais, de reduzidas comunidades de povo, de lugarejos e vilas ...”
LITERATURA
“São muitas as correntes literárias que dominaram a vida espiritual dos povos. Classicismo, romantismo, realismo, naturalismo, parnasianismo, concretismo, modernismo e quantos mais. Cada qual tem interpretação própria e autores respectivos. A crítica sempre procurou defini-las, como agora fazemos, sem que sejamos críticos mas apenas ledor de documentos da literatura, com o polifonismo.”
LIVRO
“Dar livros de presente aos amigos é uma prova de que os consideramos inteligentes e cultos.”
“Os livros merecem todo nosso respeito, admiração e carinho: são eles que nos dão os conhecimentos de todas as ciências e artes. Em suas páginas é que registram todas as causas importantes da terra. Eles nos instruem e nos divertem. Servem de passatempo, de calmante, de remédio. Em uma palavra, os livros aumentam a nossa responsabilidade.”
MUDANÇA
“É necessário que haja reação e reação heróica. Faliram-se as elites políticas confundidas com os donos da economia dos povos; a salvação está na inteligência aprimorada que não se venaliza e na coragem de luta dos que têm fé.”
NOVELA
“Ninguém ignora que a novelística corresponde ao gênero literário da novela – um gênero difícil da criação artística, porque reclama ordenamento, sobretudo. A novela vale-se de fatos humanos reais, ou, quando fictícios, via de regra, verossímeis. A narrativa de ser curta, mais completa, integra ...”
PALAVRA
“Dispõe o homem da palavra – e as palavras substituem as cousas e realizam um vasto e eficaz processo de linguagem. Qualquer que seja a linguagem humana, porém, dos gestos, dos cânticos, das convenções, da fala, das artes, o seu estudo deve  ser antecedido pelo conhecimento do símbolo, que se representa por signos e sinais.”
POESIA
“Se não disseram, é necessário que se diga: a poesia corresponde ao sentimento do mundo, - o sentimento das cousas, dos gestos, dos caracteres humanas, da natureza, da vida espiritual, da família, do afeto, dos aspectos filosóficos nas atitudes do homem, assim da forma que se elabora a poesia intimista e social.”
“Não cabe dúvida de que a poesia tem elevada função social e de que os poetas podem defender pontos de vista morais e políticos ...”
VERDADE
“Nós temos sestro tristíssimos: quando ocupamos um cargo, ficamos empanturrados de grandeza, vaidosos, e acreditamos que apenas nós temos a verdade. Quando achamos que um professor não está seguindo o bom caminho e damos palpite a fim de que ele erre menos, o mestre se aborrece, passa a antipatizar conosco, ás vezes a odiar-nos, por isso nos eximimos de crítica.”

domingo, 1 de janeiro de 2012

DICIONÁRIO DE SABEDORIA DOS PIAUIENSES

Dicionário de Sabedoria dos Piauienses – Citações máximas sentenciosas do pensamento reflexivo dos piauienses de todos os tempos. José Antônio da Silva, 2004. EDUFPI - Editora da Universidade Federal do Piaui.

É o primeiro livro de citações, máximas, aforismos e pensamentos exclusivamente só de autores piauienses. Originado de uma longa pesquisa em diversas obras nas mais variadas áreas da cultura, onde foram coletados os melhores e mais significativos trechos. O Propósito principal deste trabalho é o de valorizar o pensamento dos nossos autores e facilitar o acesso as suas principais ideias de forma prática e eficiente. Cada frase carrega em suas linhas, uma reflexão do conhecimento de nós mesmos.
PENSAMENTOS DO AUTOR
AMIGO
“Um veterinário diz que o melhor amigo do homem é o cachorro. Um engenheiro afirma que é o concreto. Um boêmio ensina que é o uísque. Um publicitário acredita que é o dinheiro. Um literato fala que é o livro. Eu concordo com o literato, é o livro, nele cabe tudo.”
AMOR
“O amor de uma mulher é mais poderoso do que a sabedoria de um homem, mais a sabedoria de um homem é mais sensata do que o amor de uma mulher.”
BUSCA
“O principal elemento positivo e motivador na busca de qualquer realização, é a vontade. A vontade é anterior à busca. A busca é a atividade maior entre a vontade e a realização. Sem vontade, praticamente não existe o buscar, e sem o buscar, a realização é quase impossível.”
MEDO
“Sinta medo, é natural. Mas não seja covarde, pois é desonroso.”
MORTE
“A morte parece artificialmente o fim de tudo. A vida já não parece naturalmente o começo de tudo. A vida é ainda muito insistente ao nascer e muito mais persistente ao renascer. Mesmo no meio das piores adversidades a vida continua e não para, a morte é só uma rápida parada na continuidade. A morte faz mais parte da vida do que a vida faz parte da morte.”
POESIA
“A poesia mais bem consumida não é a boa e verdadeira gerada por poetas, e sim a que é criada rápida e artificialmente pelos publicitários.”
PRAZER
“Antes do prazer a vontade é necessária. Depois do prazer a satisfação é essencial.”
PRESSA
“A pressa é inimiga do prazer.”
SABEDORIA
“O contrário da sabedoria não é a ignorância, é a inexperiência.”
TRABALHO
“O meu trabalho é bom, não só porque é bom pelo prazer, ele é bom porque eu gosto.”
VÍCIO
“O pior tipo de vício no homem é aquele que ele sabe que o tem e não o consegue abandona-lo.”
 VONTADE
“Vontade não é desejo. A vontade é muito maior que o desejo. A vontade busca realizar, o desejo procura contentar. A vontade busca a felicidade, o desejo procura a alegria, a vontade busca o amor, o desejo procura o sexo, a vontade busca a satisfação e o desejo procura o prazer.”