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segunda-feira, 17 de junho de 2013

MANOEL PAULO NUNES

Por Ele Mesmo no Dicionário de Sabedoria dos Piauienses
Nasceu em Regeneração-PI (11-10-1925). Professor universitário e ensaísta. Formado em Ciência Jurídicas e Sociais. Professor titular da UFPI. Técnico em Assuntos Educacionais do MEC. Membro da Academia Piauiense de Letras. Primeiro ocupante da cadeira 38, cujo patrono é João Francisco Ferry.
ACADEMIA
... as academias tem que cultuar a tradição, porque sem tradição não há academia. As academias, sua preocupação é cultuar, cultivar os valores estabelecidos, a que chamo de valores permanentes, mas eu vejo nas academias um fermento muito grande de renovação. Eu acho que as academias não têm apenas o compromisso com a tradição.”
As reuniões de homens de letras se constituem, não apenas na oportunidade para o debate objetivo de idéias de interesse da cultura, como também para a tomada de posições em relação à defesa de causa comum da inteligência, quando se acham em jogo os valores fundamentais do homem.”
APRESENTAÇÃO
Há certas apresentações perfeitamente dispensáveis... Os leitores já fizeram assim sua escolha. Dispensa por isso qualquer intermediação.”
CRÍTICO
Os grandes escritores, para adquirirem maior notoriedade, sempre contaram com um crítico de renome para projetarem as qualidades maiores da obra realizada.
CULTURA
Os grandes escritores, para adquirirem maior notoriedade, sempre contaram com um crítico de renome para projetarem as qualidades maiores da obra realizada.
EDUCAR
Todo sistema educacional visa a transmitir às novas gerações a herança cultural do passado, possuindo, em conseqüência, muitas vezes, um caráter acentuadamente conservador. Entretanto, educar não é apenas perpetuar o passado uma vez que, toda educação significa também uma resposta aos desafios do presente e, numa visão prospectiva, uma preparação para a vida futura. Há assim necessidade de questionar o tipo de educação a ser ministrado aos jovens de hoje, o que diz respeito aos aspectos quantitativos e qualitativos da educação.
EDUCAÇÃO
A educação é um processo dinâmico, inseparável da evolução da sociedade. Educadores e sociólogo, ao pretenderem conceituá-la, procuram determinar sua estreita vinculação com a vida social, ou seja, com a vida produtiva, pois é um truísmo dizer-se que cada etapa social exige determinado tipo de educação. Já vai longe o tempo em que a educação era uma espécie de compartimento estanque, distanciada da vida e de seus múltiplos problemas, ou de suas solicitações.
ESTRUTURALISMO
Às vezes chego a pensar que a crítica textual, decorrente do estruturalismo, foi um dos maiores equívocos da história literária... fez em nossa cultura estragos consideráveis pois matou simplesmente o gosto pela leitura. Toda mundo passou a partir daí a ver no texto um pretexto para a demonstração das mais capciosas teorias. Ninguém mais se preocupou com as raízes da nossa história literária.
GERAÇÃO
... me considero integrante de uma geração perdida, não pelo que haja ela deixado de realizar em termos de vitória nos assuntos de ordem pessoal, mas perdida em relação à falta de identificação com aqueles valores que dão real significado à vida humana, entre os quais se pode inscrever a defesa da liberdade, a denúncia da injustiça e o respeito à essencial dignidade da pessoa humana.
GLÓRIA
Felizes os escritores ou os artistas que conseguem em vida assistir à própria glória intelectual.
LEI
Em toda parte do mundo, as leis são institutos que devem ser cumpridos. Entre nós, nem sempre. Talvez não haja um país do mundo de leis as mais perfeitas e inumeráveis. Só que a maioria delas não são cumpridas. Daí os privilégios inconcebíveis, a discriminação social, numa sociedade em que existem os que vivem sob o guante das leis e os que a elas não se submetem, os intocáveis, verdadeiras castas de privilegiados, a afrontar os que têm fome e sede de justiça. Estes, que constituem ínfima e bem nutrida minoria, vivem a sua vida, ao arrepio das obrigações que são comuns aos demais cidadãos, sobretudo os mais pobres. Não observam as leis, não pagam impostos, porque nada os atinge, como se não fossem cidadãos de uma mesma nação, com direitos e obrigações  iguais.
LEITURA
Cada um de nós, que vive pelo pensamento e o manifesta através da escrita, é o resultado de suas influências e de suas leituras. São elas que nos despertam a curiosidade e o sentido da vida. Jamais poderemos renegá-las, pois seria renegar a essência de nós mesmos.
LINGUAGEM
Muita gente, depois do modernismo , ou mesmo antes dele, procura captar para seus romances a fala popular. Ainda hoje se faz esta experiência. Foi uma desgraceira geral. Porque, meus amigos, captar a essência da fala do povo não é escrever errado, simplesmente, como ele fala. É dar a essa linguagem tratamento literário. Vou morrer dizendo isto e esta é uma guerra sem quartel. É preciso ser-se genial para captar esta beleza da fala popular.
LIVRO
Publicar um livro constitui a mais pura e comovente aventura do espírito. É um pouco de nós próprios que transita para páginas que serão lidas e avaliadas por uma comunidade de pessoas: amigos, inimigos, desafetos, maldizentes, aquilo que constitui afinal o chamado público ledor.
Falar dos livros de alguém é falar da própria pessoa...
Todo escritor, todo intelectual tem a obrigação de dar, à sua maneira, um testemunho de sua época. Seus livros constituem como que a sua cosmovisão.
MORTE
O problema da morte, como de resto o do amor, tem ocupado, de modo absorvente, as grandes obras literárias, do passado aos nossos dias. Daí a razão por que as grandes obras de ficção não tem fugido a esse tema, pelo contrário, todas dele se ocupam de maneira obsedante.
PENSAMENTO
Cada um de nós, que vive pelo pensamento e o manifesta  através da  escrita, é o resultado  de suas influências e de suas leituras. São elas que nos despertam  a curiosidade e o sentido da vida. Jamais poderemos renegá-las, pois seria renegar a essência de nós mesmos.
POLÍTICA
A conciliação, não obriga ninguém a perder a independência política.
POESIA
A reforma modernista na poesia, com que se intentava exprimir uma nova estética, trouxe um certo descrédito para o soneto, uma das mais antigas formas de expressão da arte poética, em todos os tempos. A preferência pelo verso livre, um dos cânones do modernismo, que já vinha do simbolismo, intentava descobrir ritmos novos, além de revelar, através de palavras comuns, ressonâncias poéticas novas que procurassem afastar o poeta dos achados já consagrados pelos parnasianos, na castigada ourivesaria do verso...
TRADIÇÃO
A tradição é a continuidade da cultura. Tradição não é preservar o passado; é estabelecer uma continuidade entre o passado, o presente e o futuro.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

FRANCISCO MIGUEL DE MOURA


Por Ele Mesmo no Dicionário de Sabedoria dos Piauienses (Parte-1)
Nasceu em Jenipapeiro, Picos-PI (16-06-1933). Poeta, bancário aposentado, romancista, contista e crítico literário. Formado em Letras.
AMAR
“Amar as criaturas porque são belas é amar o belo, não é amar o ser humano. Amar é difícil. Amar as criaturas porque são boas é amar o ser humano em sua essencialidade, é amar a bondade. Amar assim é prático, fácil, gentil, mas... Amar o ser humano porque é ser humano, porque é irmão, ainda assim não é amar a criatura, mas amar a si mesmo. E tanto se peca por amar demais a si mesmo quanto por desamor”
AMOR
“O amor é tudo quanto se não procura. O belo, o bonito, o gostoso, o sensual, o triste, o alheio, até mesmo o sorriso, nada importa sem amor. Amar é dar e não receber, não fugir se é perseguido, não lutar se lhe é imposto, dizer quando a língua está leve e sem nó, chorar, comer, beber, dormir ...”
ARTE
“Tem-se como certo que uma das funções da arte é adivinhar, antever certos acontecimentos ou o futuro de uma comunidade ou de um povo. Daí a ideia, nalguns a certeza, de que as artes, especialmente a poesia e por extensão a literatura, são divinas, colhem os mistérios do céu, e o poeta é um profeta”
 “O movimento é vida e a arte vem da vida e perpetua a vida na História. Não a História da Arte, mas a história social da humanidade. Meu gosto pessoal só conta como gosto pessoal. O que conta mesmo é a minha interpretação do gosto dos apreciadores da arte, o público”

BELEZA
“Para os poetas, para a poesia, a beleza – claro que falo da aparência da pessoa – não é fundamental. Isto significa dizer que nenhum poeta precisa ser bonito pessoalmente para que possa escrever bons poemas e também que não só a beleza é inspiradora de poesia. Outras coisas, fenômenos e qualidades o são igualmente, ou podem ser.”

COMUNICABILIDADE
“Não pensem que quem fala mais se comunica melhor. O silêncio, o olhar, os gestos são mais significativos. Por onde se começa o amor? Por onde inicia uma grande amizade? De que são feitos os grandes poemas modernos? De palavras. Mas também de silêncios, espaços, sugestão, meios-tons, meias-palavras. Salvo as exceções, as palavras muito compridas são complicadas para o poeta, tanto assim que ele as parte e reparte”

COMUNICAÇÃO
“Não estamos sozinhos nem conseguimos ficar com os outros. Sentir a vida como um devir, não como realização, deve ser o problema posto. Fala-se tanto em comunicação que aos poucos o sentido da palavra se esvazia. É que realmente precisamos de outra comunicação: a que vem cheia de sabor humano, não essa comercializada, artificial, cheirando a produtos em série ou abarrotamento de armazém. Seria possível expressar a realidade da alma humana? E a compreensão de suas verdades íntimas?”

CONTEMPLAÇÃO
“Nada mais simples que a alegria, o amor, a graça. Aqui, ali, em qualquer parte as encontramos, basta olhar a sociedade sem preconceitos, basta ver a natureza a olho nu. Infelizmente há muito tempo que não posso fazê-lo. Entre meus olhos e o mundo existe um par de óculos a torná-lo verde ou cinza, um filtro que me toma boa parte da linha do horizonte nos seus sempre azuis nordestinos, onde o céu e o monte se encontram e se beijam com a perfeição da distância. Mas, o que é o horizonte? A distância é o real encontro e a conjunção física do abraço”

CONTO
“Toda crítica é difícil. A crítica do conto se me afigura muito mais complicada, por isto tem sido para mim um constante desafio. Um livro de contos reúne várias peças, nem sempre homogêneas . É preciso captar com rigor sua unidade e a unidade como marca do estilo do autor. As dificuldades não se resumem nisto. Reconhecimento como o mais difícil gênero da arte literária, o conto guarda em si muitos segredos que os teóricos não conseguem desvendar”

“Porque o conto é mais difícil que o romance ou a poesia? Há contistas que são também romancistas. Como há poetas que escrevem contos. No mundo da inteligência há generalidade e especialidades. Sendo a matéria do conto momento único da vida do personagem, talvez o mais importante, deve ser tenso e intenso, mas não tão extenso. Aquele momento nem sempre chega a ser captado pelo escritor – daí vem a frustração – muito menos pelo leitor, que, no caso, ficará a ver navios”

CRÍTICO
“Até alcançar o juízo, que vem como síntese final, passa o crítico por muitas fases. A primeira preside o namoro e a emoção da escolha da obra. O segundo momento é o encontro através da leitura”

CRÔNICA
“A crônica é uma forma literária que nasceu no dia-a-dia do jornal e por isto precisa respirar livremente”